Thursday, June 14, 2007

"But I don't want to go among mad people," Alice remarked."Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad.""How do you know I'm mad?" said Alice."You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here."

"Stadinervos"


Doença mental no jargão popular. Neurose para Sigmund Freud, Patologia da Moral para Nietzsche.
Que importa o rótulo? Estamos sofrendo. Entramos na casinha e jogamos a chave fora.
Não somos mais nós mesmos.
A Causa? Lá vamos nós. Repressão instintiva chama o Dr. de Viena; Moral: “O homem doente de sí mesmo” nos diz o bigodudo alemão, inconsciente constipado digo eu, ou, ausência da paixão na vida um renomado professor.

O fato: Pulamos para fora da vida, “encapamos nossos nervos”, não queremos mais sentir. Emoções? Tô fora.

A vida? O acaso? A incerteza sobre o futuro? Poder morrer abrubtamente?
(ou ganhar na loteria de repente?) esse negócio inconsciente, eloqüente, inconseqüente ?
Deusquemelivre!!!

E o mestrado? O Doutorado, o casamento, chá de fraldas, filhos antes dos 30?
Méquefica? Tudo aquilo que é certo, correto, moral e não engorda?
Pára com isso. Tenho que me comportar.

Fecha com Bonder este tal de inconsciente que não pára de me dar vontades...
Até de virar pintor. Pintor! Músico! Artista! Vê se pode...
Manda fechar! Organiza tudo!
Assim: Vida aqui, deste jeito: passado ali na segunda gaveta, futuro lá no departamento de seguros e pronto! Tô Louco.

E como diz o poeta... “A criança que fui chora na estrada!”
E nestes casos BERRA a pobrezinha. Me afastei do melhor de mim.
Estou só, nu, sem alma.
Estou Oco. Eco Oco.

E na tentativa desesperada de me buscar, acho na primeira esquina um engano.
Alguma coisa parecida com um atalho, que promete me levar pra casa por 10 pilas e me leva pro fim do mundo. O nome? No livro é sintoma, ou, o “meu” jeito de gritar socorro, um jeito de barganhar comigo mesmo.
Mais ou menos assim:

“Ok. Eu lavo a mão 400 vezes por dia até sangrar e paro de pensar, mas não me vêm com esta de sentir e de viver. Sentir e viver até dá, mas sem sofrer deal?
E a gente acredita que a vida deveria ser como a gente combinou...

Eu mando e ela cala a boca.

Assim nascem o que os livros chamam de “Psicopatologias” ou como dizia o Caio Fernando Abreu: “Stadinervos”.

As escolhas são muitas, de acordo com o “jeito” de cada um, ou melhor, de acordo com o jeito que cada um dá.
Toc, Histeria, Síndrome do Pânico. Tudo isso é feito, em minha opinião, dá mesma farinha:
A negativa da aceitação do caráter inconsciente da vida, e, obviamente, nossa sempre falha iniciativa em querer comandar o espetáculo.

E o triste... o mais triste mesmo, é, que enquanto não consigo sair da casinha, lavando e lavando estas mãos, a Lauryn Hill canta no Pepsi on Stage, e o The Police inicia turnê.

Mas com licença, é melhor lavar as mãos! Não são tantas as emoções?
Tô Fora Bicho. Já diria o Roberto Carlos esquecido que viver dói, mas vale a pena.

Monday, July 03, 2006

Minha Cara,

Venho me separando de alguém, e venho me reencontrando comigo.
Venho me distanciando de alguém que acreditei conhecer melhor do que a mim mesma, e assim, venho conhecendo melhor a mim de verdade.
Ou pelo menos por enquanto, um pouco mais.
Separações são doloridas, mas necessárias, e na maioria das vezes saudáveis.
Eu nunca tive medo de me separar, de me afastar do que me faria mal.
Mentira,sempre tive, e sempre terei.
Mas no além do medo, sempre tive coragem.
Uma coragem que brota na hora exata, no último suspiro do covarde.

E foi assim contigo.

Nos conhecemos desde a mais tenra infância, andamos juntas por paraísos e infernos conhecidos, onde fui, sempre te levei comigo, sempre te protegi, sempre te amei, como uma filha, como uma irmã.
Mas de repente, resolvestes, e talvez não fosse tão de repente assim, te tornar quem imaginavas tu, que eu era.
Obrigado.
Por ti, me afastei de meu próprio engano.
Ou será que fui eu que te enganei? Pois com isso, me mostrastes cara amiga, que o que te tornastes para mim não serve.
Mostrastes, que eu mesma não cabia em meu desejo e que meus desejos não cabiam em mim.

Tinhamos tamanhos diferentes sabe?
Hoje estou mais perto do meu real tamanho.Tamanho de gente, gente que um dia finda.
E não de uma mentira que fostes a primeira a provar como veneno.
Sinto muito, pois meu mel em ti é fel.


Tuesday, February 07, 2006


Diz ah bafo

Verão é cool!!!
Tudo menos isso. Se tem uma coisa que o verão não é, é cool.
Manter a paciência,? Keep cool? No verão? Só com ar condicionado claro, por que brisa no asfalto never mind! Só na free way.
Andei pensando e suando, e cheguei a conclusão que gosto do verão. Em, basicamente, 3 ocasiões plus uma generalizada. Isso significa:
a) Gosto do verão na praia: na beira do mar estatelada, dentro da água ou em casa depois do banho. Mas prefiro praia fora de época.Tem essa.
b) Na cidade: De noite. Só de noite. Em cima da cama, de bunda prá cima e janela aberta, se tiver um ventinho é claro.
c) Da noite na rua. Em festa ao ar livre, com champagne e vestido de alcinha.
JUST.

Para qualquer outra situação exijo a presença do meu ar condicionado.
Isto não é preconceito, nojentísse, camilisse...É calor mesmo.
Acho um saco o calor. Pra tudo. Calor é pra toldos, não pra todos.
Fico pensando que o inverno é muito mais cool. Literalmente.
Em qualquer situação.
Quem não fica bem de gola rule, manta xadrez, lareira, livro, vinho tinto e chocolate.
Quem não fica bem depois de um banhinho quente, uma sopinha...
Vai tomar banho frio e um choppinho! A pessoa fica elétrica, alta tensão, emoção, pode ser... nada relax.
Ahhhh inverno é depre!!! Deprende.
Até pode ser que o verão seja menos deprê, se bem que aquela súbita vontade de fazer ginástica prá mim, digo, em mim, já é sintoma de doença.
Mas que o inverno é elegante, charmoso, quarentão, requintado...isso é.
Nada contra ao descolamento, funk, quebra barraco. Até gosto.
De frente pro Cristo Redentor ou em Salvador entro na onda certo!
Mas please, inverno é mais matreiro, conhecedor, low profile. Suisso eu diria.
É claro, aqui em casa, de baixo do meu endredon. Talvez...
Pra quem vive na rua o inverno é sorrateiro, algoz.
Aí eu prefiro o verão. Viva o verão. Passo calor sem problemas...
Verão inverno, primavera, outono...
Na verdade o bom do verão é sentir saudades do inverno. E talvez, vice-versa.
Aguarde a próxima estação

Tuesday, December 06, 2005

Meninos são Incríveis!!!

Meninos são incríveis.
Ou porque meninas amam meninos.

Claro.Seria simplista e ridículo, e também impossível explicar o porque de nossa admiração inexplicável.
Mas quanto mais não compreendo mais me apaixono. Mais invejo certas qualidades apenas, únicas, essencialmente masculinas.
A capacidade cuca fresca de alguns homens é o que mais me encanta.
Eles são. Apenas são.
Hoje, nesta noite exatamente, fui “trocada” no final de tarde por uma vara de pescar, e a noite por 11 homens e uma bola.
Isto tudo depois de quase dois dias sem ver meu namorado. Já sei. Ele não me ama.
No, no. Resposta errada. Ama e muito.
Apenas, eu disse apenas, quis pescar e jogar seu futebol no final do fechamento de um trabalho exaustivo porque..., por que simplesmente, desporquemente quis!
Por que, ao contrário de mim, e de muitas mulheres, sabe que o mundo não vai acabar amanhã, sabe que temos muitos dias juntos.
E, além de tudo, a cima de tudo e melhor de tudo: Ele sabe se divertir.
Sim.Homens sabem se divertir MUITO melhor do que algumas (eu disse algumas) mulheres.
Eles riem muito, falam alto, se divertem com qualquer bobagem ( quem disse bobagem?).
Aceitam amar o incomprensivél, ou alguém acha que os homens nos entendem? Não. Apenas nos amam.E isto não é tudo?Deveria ser girls!!! Para eles juro que é!
Gostam muito um dos outros, mas não para chorar mágoas ou pedir conselhos, mas gostam apenas por que gostam.
Homens são simples. Não existem por que. Existem para que.
Mulheres pensam que pensam, e enquanto isto homens fazem e se divertem muito mais!Mirem-se no exemplo daqueles HOMENS DE ATENAS, mas apenas no exemplo, pois, admirar o incompreensível e admitir carinhosamente nossas diferenças já pode nos ensinar. E muito.

Wednesday, September 21, 2005

EXCRITOS


Excritos nasceram em abril de 1976. Mentira, ou meia verdade. Eu nasci em abril de 1976.
Foi então que comecei a sentir, pensar, achar e mais tarde “ter coisas”.
Quando comecei a “ter coisas” eu não me lembro, mas deve ter sido lá pelos poucos anos, aqueles que valem muito.
E então, de lá pra cá começou a necessidade de expulsão, “de excreção das coisas”.
Claro, que já tinha notado que algumas coisas saíam de mim...o xixi,o coco,o suor... Mas isso não chegava a me esvaziar, e veja bem, eu posso explodir se não esvazio. Preciso de espaço para coisas novas sabe?
Com cheirinho de recém nascido!
E então comecei a tentar. Escolinha de artes: pintura, macramê e argila. E mais tarde a dança. Nos encontramos ainda pequenas. Eu, e ela em mim. Crescemos juntas, e por um bom tempo ela me ajudou. Era minha tradutora e interprete. Muitas vezes me avisava de sentimentos ainda não sentidos. A dança, em minhas veias, pensava pelo meu corpo. Ainda nos damos muito, volta e meia namoramos. Mas de repente, encontrei, ainda pequena, (que é quando encontramos muito do que vale a pena!) as folhas brancas e silenciosas dos cadernos.
E ali nasceram os primeiros EXCRITOS. Sim, são saídos de mim os excritos, são excretados de minha alma e ao mesmo tempo não me pertencem.
Por isso são sempre EX, de ontem, do passado, já nascidos à andar sozinhos por aí.
Eles, os EXCRITOS, tem vida própria, e a ela pertencem. Só me usam como um espírito usa o médium, se assim posso dizer.
Não sou eu aqui, embora parte de mim neles esteja.
São fragmentos do que fui no momento em que, em mim, eles habitavam.
Agora, já sou outra.
Não escrevo por que quero.Escrevo por que preciso Ex-cre-ver-me.

Monday, September 19, 2005

Qualidade de Vida???

Esportes, dieta equilibrada, oito horas de sono, meditação. Check up:
Como está seu coração? Como vai este intestino? E o fígado? Rins? Baço? Pâncreas? Sistemas urinário, digestivo, cardiovascular o escambau. Para tudo isto existe exame.
Medicina baseda em evidências.Vai lá, examina, resultado, tratamento se precisa. Ou tem ou não se tem. Simple.
E a cabecinha? Ou melhor, neste caso o cabeção? Sim. A muringa, o pensante, o sistema nervoso! Quem examina com clareza? Poucos.
Madame, a Srta está com um pequeno problema de idéia fixa, bobagem recorrente. Vire a página, de uma banda, monte uma banda. Largue do seu pé e volte em trinta dias.
E a gente acredita? Não.Simples demais.Além do esforço pra montar uma banda. Tô fora!
E aí começa a auto-atucanação disfarçada da tal auto-análise, auto-crítica, auto-reflexão. Desconfio de tudo que é auto. É uma maneira de fazer alguma coisa parecendo que não fui eu que fiz. Ou seja, um auto-engano! Dizem que é bom. Mas arsênico, em alguns casos, também faz bem.
Mas vamos lá: Neurônios, axônios em fila, sentimentos e sensações se organizem!!! Precisamos de qualidade de vida!!! Está escrito no jornal: Penso, logo existo!
E nos tornamos algozes de nós mesmos. Como estou hoje? Tenso? Angustiado? Leve ou moderado? Como me sinto em relação á bla bla bla, bla bla bla, bla bla bla...
E aí pifa. Alguma coisa pifa. Não há amor que resista a 24 horas de filosofia, já me disse um poeta. Ele disse 24!!! Não quero dizer que atravessar a rua sem olhar pros lados também é bom! Reflexão: Um pouquinho tudo bem.Demais azeda.
Mas o ser humano quer saber! Ele tem que saber! Tem que saber tudo, se não...ai cruzes!Posso errar, pecar e ser castigado pela ira divina!
E então, delegado de si mesmo, o ser, não encontrando respostas vais atrás de mais um especialista.Por que o cara que sabe, sabe mesmo, este é especialista!
Chegando lá, os dois de mãos dadas dão início a faxina. Mãe. Deve ser a mãe. Um cara já falou que é tudo culpa da mãe. Então estamos resolvidos, 100 reais pagam a conta e eu não tenho nada a ver com isso. Fucking mamma.
Mas lá pelas 4 hs da manhã o ser desconfia....tic tac tic tac...mas o que a minha mãe tem haver com isso... Onde estou? Como estou? Para onde eu vou? Qual o sentido desta coisa toda?
Olha querido eu não sei. Mas enquanto a gente pensa que pensa tem show no Gigantinho, festa no bom fim e gente se divertindo.E se auto crítica realmente fizesse bem, o Paulo Francis tinha passado a vida se criticando. Boa noite. Penso, logo desisto. Mas olho pros lados antes de atravessar a rua!

Os imortais

Não me lembro quando a conheci. Mas sei que ela sempre esteve comigo. No ventre de minha mãe, ao lado do meu carrinho de bebê, no colo de meu pai enquanto ouvíamos música.
Antes de sentir as letras sempre senti seu perfume em minha casa.
Quando aprendi a andar, correr e brincar, conheci então sua casa de perto.
Não sabia que a fada que embalava meu sono e me ajudava a dormir morava lá, no castelo da sala de estar, e bem no meio dele...
Aprendi as letras, e assim descobri seu nome, e como já sabia seu endereço a procurei sem saber. Tinha certeza que algo colorido e feliz ela guardava para mim.
Pequena, subi no banco e alcancei sua morada, a janela da estante que guardava Clarice.
E ela, amiga querida, não disse o que o mundo então dizia: “É muito cedo para estes livros”.
Não! Ela tinha livros para mim! Coloridos, engraçados, com coelhos e galinhas. Mas coisas tristes e humanas também. Em nosso mundo, as mulheres já matavam os peixes.
Minha amiga nunca me iludiu.
E assim foi. E assim é. Procuro Clarice desde pequena para que me ajude a compreender a vida, ou ao menos a aceitar seu lindo descabimento.
Passeamos de mão juntas fazendo a Descoberta do mundo, e dalí em diante ela me deixou como quem diz: “Vai e escolhe teu nome, e eu sempre estarei lá.”
E assim segui a navegação.
Na Água viva de Clarice descobri Um sopro de vida entre Belas e feras Para não esquecer minha Via crucis do corpo.
Mais tarde, De corpo inteiro, voltei a Aprendizagem, ou O livro dos prazeres até encontrar minha Hora da Estrela outra vez.
E hoje, talvez mais Perto do coração selvagem, eu já saiba, como diria minha amiga, que: “Meu nome é EU”.
Saudades Clarice, que falta você me faz, quando te procuro na estante e alguém te levou de lá, mas sei que tu retornas e sempre voltarás, pois é meu coração, e não a academia, o lugar dos imortais.

All We need is love

Título de uma crônica que inspirou a Titia do Rock ‘n Roll, Amor é prosa, sexo é poesia é o recente livro do Arnaldo Jabor, e, na minha opinião, o início de um anti-movimento, como diziam os tribalistas.
E foi assim que eu acabei de devorar todas as crônicas ali contidas, paradinha, quietinha, desplugada. Completamente acústica! Jabor pediu, eu cedi e gostei. O livro quase grita: PARE, OLHE, ESCUTE e, se agüentar: SINTA!
Um sinal vermelho, um control alt del no que o autor define como desencantamento insuportável na vida social que a cultura americana nos entulhou no pós-64.
Não tá enteindeindo? Eu explico.
Jabor pára o trânsito. Não pede passagem, não quer atenção, nem sei se quer ser lido. Não agüenta mais celebritismos pós-modernos.
Jabor apenas pára, sente e fala da gente.
Fala do mundo de silicone, das bundas de mentira na internet, do teu msn pulando enquanto teu celular toca e o palmtop baixa 100 músicas, filma, tira fotos e te avisa pra atualizar o orkut. Alerta de que, enquanto isso, a vida passa. Passa e a gente não viu nem se era de tarde, de noite ou de dia. Nem deu pra anotar a placa, quanto mais pra sentir alguma coisa ou lembrar de ligar pra quem se ama.
Se é que dá tempo pra descobrir o que é amor com tanta bunda no mercado.
Pro Jabor, amor é bossa nova, sexo é carnaval. Amor não exige a presença do outro, o sexo, no mínimo de uma mãozinha. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST! Jabor fala de menos pegadas e de mais mãos dadas.
Jabor pede, sem querer impor, que cheiremos menos e respiremos mais, liguemo-nos menos e vejamo-nos mais, pulemos menos e dancemos mais. E, acima de tudo, avisa que altas sensações não têm nada ver com grandes sentimentos.
Jabor fala de música, de praia, de guerra e de paz, de empada com azeitona e chope na beira do mar. Fala da caretice da direita que pirou no pós-64 e virou caretice de esquerda travesti! Pros extremos e extremados, Jabor pede um tempo, pede que deixemos o tempo passar, e não fiquemos passando o tempo.
Jabor quer tempo pra paz, quer tempo pra nós, e se pergunta, indignado:
Onde é que estão os hippies, agora que precisamos deles?
E eu penso...tão aqui Jabor, escondidos dentro de nós, mas dessa vez com muito medo...medo de amar.
Paz e Amor, Poa Vibe!

Coluna escrita para o site de variedades poavibe.com.br

Par ou ímpar

É incrível o que pode acontecer com um solteiro fora do Rio de Janeiro. Ou melhor, com a lua fora de curso.
Sim, porque até pra ser solteiro é necessário ter talento. A pessoa que não está acostumada a ficar sem par, automaticamente vai parar em uma categoria ímpar.
Primeiro mês: A gente sai na rua e não sabe por que saiu, não sabe onde pôr as mãos e nem consegue olhar direito pros lados, uma certa paranóia egocentrada dá a impressão de que tá todo mundo te olhando.
Fim do primeiro mês: A gente já reviu milhões de amigos, conheceu um outro milhão, alguns pretendentes, mas o lema é o mesmo: peraí, não me atrapalha. Segundo mês: Começa-se a gostar de ser solteiro. Todos os dias uma turma diferente, um bar diferente, uma conversa diferente.
Muitas informações novas, novas pessoas, mundo novo, vida nova...E tu ali, descascando batata no porão. Literalmente a passeio. Uns acabam tendo romances fast food, outros nem isso, querem mesmo é muita amizade, chopp e risada frouxa.
E quando tudo começa a parecer um playground, ou uma roda gigante de emoções, pinta.
Quem foi mesmo que disse que vida de solteiro é emocionante? Esquece. Emoção é conhecer alguém diferente, por quem a gente jura que não vai se apaixonar e de repente começa a apaixonar a gente.
A sensação é vertiginosa. A gente ali, se divertindo, simplesmente sobrevivendo, ou literalmente começando a se acostumar com a vida gloriosa da boemia, e lá vem a Vida pela ponta esquerda, numa jogada de mestre desestabiliza a defesa, derruba três zagueiros de plantão e...
E o cara que não tá mais acostumado a ter par e nem ser ímpar se atrapalha todo.
Não sabe se dá a mão ou se não dá, se liga ou se não liga, se vai pra praia e foge ou vai jantar fora duma vez e encara a bronca.
Bronca? Que bronca? E se for bom? Me provem o contrário...
Sim. E a gente começa, sem querer, muito a contragosto, quase esperneando, a esperar que aquela alma caridosa que tirou a gente das esquinas malditas prove que a vida pode ser emocionante em par e não em ímpar.


Coluna publicada no site www.argumento.net

Desperta-dor

04 de setembro, sábado, véspera de feriado. Me acordo subitamente de um sonho interrompido pelo meu delicado e moderno despertador: Eu, feliz da vida, correndo na Praia do Rosa de ponta á ponta, finalmente me jogando no mar azul e...desperta a dor. O jornal do dia conta a tragédia na Rússia: 155 crianças e 167 adultos mortos. Ok. 11 de setembro nos Estados Unidos, 11 de março na Espanha, e agora 03 de setembro na Rússia.Os terroristas vão acabar com o mundo. Olho pela janela, dia lindo, ensolarado e... um carro queimado, carbonizado, pura carcaça, amanheceu misteriosamente na rua da frente. Paranóia. Boto água prá ferver e na tentativa de curar o meu porre de tragédias matinais escalo um conviva pra matear e bater aquele legítimo papo porto-alegrense. Everything is gonna be allright. Conversa vai, conversa vem e…ontem de madrugada um maluco encheu de tiros um bar no bairro Moinhos de Vento. Pára o mundo que eu quero descer. Largo o mate, pego a caneta e penso que não é paranóia, o mundo enlouqueceu de vez. Na rua da frente, no bairro do lado ou em outro país a tendência é seriall killer! E enquanto o John Lennon dá pulos e o Mandela desmaia pergunto pra eu mesma: E você? Já fez alguma coisa pela paz hoje?
Ou vai continuar aí sonhando com ela? Com-puta-dor. Escrevo.

Coluna escrita para o site de variedades poavibe.com.br

Os netos do Dr.Brizola

Os netos do Dr. Brizola
A nossa geração viu o Figueiredo sair, a esperança entrar, as diretas já, o Tancredo morrer, o Sarney mudar tudo de lugar, o Collor nos envergonhar, o FHC não existir, o PT assumir.
Mas o que a nossa geração não viu, ou se viu foi muito pouco, foram homens com a Paixão do Dr. Leonel. Esta paixão nos fará falta, e falta ainda maior aos nossos filhos.
Não falo de política, de partido, de ideologia. Falo de Paixão pelo que se pensa, Paixão pelo que se diz, Paixão pelo que se faz, pelo que se ama, a Paixão que faz a vida andar e ter sentido.
Não uma simples "ficada" numa festa, um namoro com o emprego, uma "pegada" no batente. Falo de perseguir ideais, qualquer que eles sejam, falo de assumir responsabilidades com o nosso coração, falo de casar com a nossa alma.
E aí eu penso...E agora? A Clarice, a Lispector, só lendo. O Chico, fez 60, o Pink Floyd e o Deep Purple não tão mais nem aí, O Cazuza virou filme e deixou o Ney com o Pedro Luis e a Parede...
Sei que tem gente aí, Los Hermanos, Saia Justa, o Rappa, o Marcelo D2, sei, gosto e respeito.
Mas, por favor, estou falando de Paixão com P maiúsculo.
Nossos avós estão prá lá de oitenta, os pais passando os sessenta, e a gente aqui vendo se ir a gente deles que de certa maneira foi nossa, pessoas que, como eles, falaram mais forte, mas não só pra nós, para todos nós.
Eu preciso saber com quem vou deixar meus filhos!
Eu preciso saber quem vai ter coragem de falar por nós, de escrever por nós, quem vai cantar e tocar por nós contando de verdade, e sem medo, o que a gente sente. Quem vai ter coragem de dizer o que a gente quer? (se é que a gente sabe!)
E quem de nós vai ter coragem e paixão pra querer de verdade alguma coisa, qualquer que seja.
O que pensam, o que sentem e o que querem os filhos do Chico e da Marieta, netos do Dr. Leonel e pais de QUEM?
Por que, um dia, QUEM vai nascer vai precisar de PAIXÃO.

Coluna escrita para o site de variedades poavibe.com.br

Cleaner

Quero deixar bem claro que esse texto é textualmente apocalíptico, ops, quis dizer apolítico. Não tem nada a ver com posição política, mas com posição social, marcação homem a homem, como diz no futebol.Mas o negócio é o seguinte: na próxima eleição eu vou votar no candidato mais zen-eco-lounge-clean que existir (se existir algum assim!). Porque poluição é sacanagem !!!!As cidades têm panfletos colados até no céu, os postes de sinalização nem sabem mais o que estão sinalizando. Toda esquina tem um monte de gente super-animada lotando as mãos da gente de... santinhos?Quem foi que disse que esses rostos caídos pelo chão esperando o pobre do gari chegar têm cara de santinho?E por aí vai, carreata, passeata, bandeirada, acho legal a gente defender nossa posição política, nossos ideais... mas... não tem um jeito de não sujar??É... sujar! Sujar até com os ouvidos - perdoem meus amigos produtores de todos os santos, que tanto trabalham nestas campanhas - mas vocês conseguem colar a musiquinha na nossa cabeça, e isso acaba sujando as nossas idéias...não dava pra usar um acid jazz em vez da Ivete Sangalo?Não. Não ia colar, eu sei. Mas dá pra inovar! Fazer diferente! De um jeito mais descolado, podemos colar, sem sujar, algo que se faz exatamente da mesma maneira há duzentos anos!Por isso abro meu voto: com sinceridade e muita saudade, eu votaria no Carlos Moreno.É, lembra dele? O Garoto BomBril ? Essa sim foi uma campanha limpa.Uma campanha de 10 anos de duração, criada pela W/Brasil, sempre com o mesmo candidato eleito, sempre inovadora e inventiva, estimulando a imaginação, a inteligência e a criatividade de seus eleitores.Logo, esses são meus votos de bons votos em 03 de outubro!

Coluna escrita para o site de variedades poavibe.com.br.