Sunday, March 29, 2009


Pois o afeto não visa lucros.

Não é a toa, nem por aprender na escolinha, que crianças, quando simpatizam realmente com um adulto, o chamam de Tio, ou Tia. E, principalmente crianças hospitalizadas, e bem atendidas por seus pediatrias, os primeiros e eternos Tios.
Este termo, que, justamente por ser carregado de afeto, tem a capacidade de enervar muitos adultos, em sua maioria aqueles que não são chamados de Tio, ou tia, e sim de tu, médico, médica, enfermeira, ou muitas vezes, honestamente, de “aqueles chatos” é referência pontual de bem estar infantil.
Quando, uma criança (ou adulto!) acolhida por um profissional da saúde, se sente bem atendida, amparada, e carinhosamente compreendida, ela o chamará de Tio sim, pois, depois de sua família, este profissional é a referência do cuidado maternal personificado através de um carinhoso apelido também familiar.
O tio, é aquele que aceita o vínculo, aquele que aceita o risco de envolver-se emocionalmente com uma pequena pessoa tão emocional como a criança.
O tio, é aquele, que superando o medo de sua impotência perante a doença, permite que o amor, a amizade, ou, tecnicamente, o vínculo, façam sua parte, muitas vezes dolorosamente terapêutica.
E é por isso que somos os Tios e as Tias do hospital, do consultório, ou até mesmo da escolinha.
O Tio é o irmão do Pai ou da Mãe, é quem vai ajudar-nos, quem vai cuidar-nos, quem vai ser o amigo perpétuo da nossa família.

Quanto mais “tios” uma criança tem, mais “irmãos” tem seus pais.
No cuidado com a criança e a família hospitalizada este vínculo é fundamental.
E eu diria, a única forma de tratamento eficaz. Seja ele o nome ou apelido que tiver.

Hoje, tive uma experiência, que provavelmente nunca mais, infelizmente, vá se repetir em minha vida, mesmo eu, desejando e acreditando piamente no contrário.
Recebi o telefonema do “Tio” de um paciente que acompanho, eu diria, de longe.
Ele estava triste, vencido e solitário.
Seu “sobrinho” paciente, (pois trata-se de “ Médico de Família”,) está morrendo.

A leucemia o venceu. Mesmo na espera da doação de medula cem por cento compatível de um irmão, a leucemia o venceu. A leucemia nos venceu.

O “Tio - Médico” chorava.
Discretamente, como todo Tio gente grande, mas chorava, e me dizia que, apesar da família não saber dos resultados horrorosos dos exames realizados naquela tarde, ele gostaria que eu soubesse.
Eu não tenho contato com este “sobrinho – paciente”, talvez inclusive, por medo de que ele pudesse me chamar de Tia, mas ouvi daquele homem, a mais profunda dor, dor de quem perderia mais que um paciente, dor de quem perderia um amigo.
Um amigo da família.
A única coisa que me ocorreu, ao ouvi-lo triste e mais triste a notícia foi pensar que, melhor perder um amigo, do que não ter a capacidade de fazê-los, melhor amar do que não ter coragem de se expor á vida, melhor estender a mão, do que ter medo de perdê-la.
E acima de tudo, melhor fazer o que se pode, do que endurecer por aquilo que podia ter sido feito.



Tenho certeza que nos momentos de dor, e também de alegria deste menino que logo se vai, este tio esteve sempre por perto, ás vezes quieto, ás vezes falante, ás vezes apenas oferecendo um pouco de sorvete, quem sabe?

Mas, também tenho certeza, e esta é a mais forte de todas, que, na lembrança de ambos, a única coisa mais forte que a doença é, e sempre será o amor. E este é invencível.


Ao Dr. Jairo com carinho e agradecimento.

Ana Luisa S. Guedes, Porto Alegre, 04 de março de 2008




Meses após este relato, o Dr. Jairo Fregapani veio também a falecer subitamente.

E eu, subitamente despedida, sem justa causa, deste Hospital, onde “tios” não são bem vindos.

THE WORLD IS OUR CLINIC.

Se acreditas em alguma profissão de "fé",
Que não possas dormir antes de "orar",
Pelo Jardineiro Fiel.
Jardineiro Fiel, uma obra de Fernando Meireles

Menina minha, menina.

Ás vezes a vida fica assim aborrecida
Seja aqui, na Suécia, na Suissa ou no Japão
Mas menina, minha menina
Por favor não perca a razão!

Chama as lavandas,
Os romeiros e alecrins
Reúne em ti todos os temperos
E o cheiro do Jasmim.

Procura a calma
Encontra a alma
Põe tudo de si em ti

E assim menina
Minha menina
Nunca serás sozinha,
nem aqui, nem lá ou ali.

Thursday, March 12, 2009

MUDA

" A VIDA MUDA, MUDA."

Sunday, April 13, 2008

Traçando -se

Ando pensando sobre a vida secreta das traças.
A traça é a verdadeira solidão, ou seria a solidão uma verdadeira traça?
Talvez daí a expressão “jogado ás traças” o que não me parece de todo mal, uma vez que, de acordo com minha mãe, as traças são bichinhos de paladar exigentíssimo.
Diria até elegante.
Ou seja, não engolem, como certas pessoas, qualquer coisa.
Não, as traças roem, delicadamente. Mais ou menos assim: d.e.l.i.c.a.d.a.m.e.n.t.e
E,ao contrário de certos seres, não roem por roer, roem seletivamente.
Traças não roem tecidos de segunda ordem, acrílicos ou sintéticos.
Non, Non, traças gostam de seda pura, linho puro, puro algodão, purezas em geral.
Oui. Traças são puristas!
Ou seja, se você não for puro, não agradará nem as traças!
E não estamos em última ordem no quesito dos roídos, traças, além de elegantes, puristas e refinadas são inteligentíssimas.
Provo.
Tenho por costume , pegar emprestado de algumas traças amigas, alguns livros, dos mais diversos, e é batata! Se o livro for bom tem buraco de traça, se for ruim nem uma dentadinha.
Nesta casa amiga, descobri um exemplar raríssimo de frases do Nelson Rodrigues, literalmente traçado, bem no meio, diria que, quase que na testa do Nelson, um furo, um tiro!
Creio que as traças saibam das coisas...
Talvez por isso vivam na escuridão silenciosa dos armários, e vivam uma vida quase invisível. É raro ver uma traça.
Seres discretíssimos estes, não deixam rastro, como cupins.
Não se importam com o outro.
Apenas vivem, quietas, e bem, sem alarde.
Traçando silenciosamente o seu destino.
Acho que o sucesso é isso.
Uma traça.


Ana Luisa - não me lembro quando
PRECISO DE UM MÈDICO


Preciso de um médico que não seja preciso, mas que seja imprescindível.
Preciso de um médico que não tenha apenas um jaleco impecável.
Mas uma alma clara e limpa.
Preciso de um médico que não lave as mãos.
Mas que pegue nas minhas.
Preciso de um médico de coração.
Mas não feito de músculos, e sim sentimentos.
Preciso de um médico que não ausculte apenas,
Mas que me ouça.
Preciso de um médico que não me pré-escreva.
Mas que me examine para saber que letra tem meu nome.
Preciso de um médico que não me tire a temperatura.
Mas me aqueça.
Preciso de um médico que diagnostique.
E que suporte meu diagnóstico.
Preciso de um médico que saiba errar e dizer que não sabe.
E que suporte ser humano
Preciso de um médico.
Mas antes de tudo,
Preciso de um amigo,
Que a única vaidade seria,
O orgulho de receber a minha opção e entrega
Em ser seu paciente.





À memória de meu avô, Dr. Lauro Schuck, um médico, apenas médico.
Com saudades, Ana Luisa. Abril de 2008.
UPS!

QUANDO A GENTE QUER FAZER APENAS UMA COISA,
UMA COISINHA ASSIM,
PEQUENA, ÍNTIMA...
ACABA POR FAZER UMA GRANDE COISA!

Saturday, November 03, 2007

CORAÇÃO

Pai nosso de todo dia
Santificado seja o NOSSO nome,
Pois, ao livrar-nos da culpa
Deste a nós o nosso reino.

E assim, contigo, pudemos,
Da responsabilidade viver em liberdade.
Criando o pão nosso de cada dia,
De acordo com a nossa vontade.

Perdoando a quem nos tem ofendido,
Aprendemos contigo a lição.

E em ti, Pai, agradecemos,
O dom maior que a própria vida,
(este que de ti já recebemos)
E com ele a redenção:

Âmem, pai
Âmem, filhos
E a todos, e tudo,
Âmem.




Pai. Muito obrigado para sempre.
De nossas mães, nossos pais, dos teus e nossos filhos.


Tua Ana Luisa. Porto Alegre, 31 de outubro de 2007
A MINHA PROFISSÃO

Quando as pessoas me perguntam o que eu faço, na maioria das vezes tenho vergonha de dizer.
Minha profissão é uma dessas que ficou difamada por si mesma.
Não, não é isso que pode-se estar pensando,embora, muitas vezes a prostituição, seja muito mais útil que este trabalho.
Eu não, eu faço parte de um time conhecido por ser chato mesmo.
Aquele amigo metido a sabe tudo que a gente foge quando cruza na rua, ou aquela amiga meio perua que a gente pensa que nem trabalha, ou pior, aquele vizinho que a gente jura que tem depressão e passa o final de semana inteiro lendo, de tão branco e triste.
Não, eu não quero falar o nome da minha profissão, até por respeito aos colegas, que, na verdade muitas vezes não merecem respeito...
Então de hoje em diante decidi que vou me anunciar:
Ana Luisa Schuck Guedes – Artesã de Almas.
Só posso dizer que meu trabalho é lindo, até quando é feio.
Meu trabalho fala pelo silêncio e silencia pela palavra.
Meu trabalho é cinza e multicor.
Meu trabalho é invisível, meu trabalho é o amor
Me chegam tecidos descoloridos, puídos e rasgados, e no silêncio do invisível eles começam a trabalhar. Sim meu trabalho trabalha sozinho.
Trabalho com almas. No início penadas.
Eu ofereço meu colo quente, minhas mãos leves e meu olhar atento.
Não uso agulhas para não machucar, nem faço marcação com alfinetes, pois a roupa da alma não me pertence.
Eu assisto com cuidado a transformação do bicho da seda:
Alimento-o, aqueço-o e o deixo ser.
E quando a cor retorna ao desbotado, os puídos são cerzidos e os rasgos remendados com o transparente fio de amor verdadeiro, ricos bordados aparecem.
Então eu me levanto e, apenas ajudo aquela criança a se vestir de si.
Sou apenas uma artesã de Almas
E por esta lida sim, eu tenho amor, carinho e orgulho.

05 de outubro de 2007

Thursday, June 14, 2007

"But I don't want to go among mad people," Alice remarked."Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad.""How do you know I'm mad?" said Alice."You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here."

"Stadinervos"


Doença mental no jargão popular. Neurose para Sigmund Freud, Patologia da Moral para Nietzsche.
Que importa o rótulo? Estamos sofrendo. Entramos na casinha e jogamos a chave fora.
Não somos mais nós mesmos.
A Causa? Lá vamos nós. Repressão instintiva chama o Dr. de Viena; Moral: “O homem doente de sí mesmo” nos diz o bigodudo alemão, inconsciente constipado digo eu, ou, ausência da paixão na vida um renomado professor.

O fato: Pulamos para fora da vida, “encapamos nossos nervos”, não queremos mais sentir. Emoções? Tô fora.

A vida? O acaso? A incerteza sobre o futuro? Poder morrer abrubtamente?
(ou ganhar na loteria de repente?) esse negócio inconsciente, eloqüente, inconseqüente ?
Deusquemelivre!!!

E o mestrado? O Doutorado, o casamento, chá de fraldas, filhos antes dos 30?
Méquefica? Tudo aquilo que é certo, correto, moral e não engorda?
Pára com isso. Tenho que me comportar.

Fecha com Bonder este tal de inconsciente que não pára de me dar vontades...
Até de virar pintor. Pintor! Músico! Artista! Vê se pode...
Manda fechar! Organiza tudo!
Assim: Vida aqui, deste jeito: passado ali na segunda gaveta, futuro lá no departamento de seguros e pronto! Tô Louco.

E como diz o poeta... “A criança que fui chora na estrada!”
E nestes casos BERRA a pobrezinha. Me afastei do melhor de mim.
Estou só, nu, sem alma.
Estou Oco. Eco Oco.

E na tentativa desesperada de me buscar, acho na primeira esquina um engano.
Alguma coisa parecida com um atalho, que promete me levar pra casa por 10 pilas e me leva pro fim do mundo. O nome? No livro é sintoma, ou, o “meu” jeito de gritar socorro, um jeito de barganhar comigo mesmo.
Mais ou menos assim:

“Ok. Eu lavo a mão 400 vezes por dia até sangrar e paro de pensar, mas não me vêm com esta de sentir e de viver. Sentir e viver até dá, mas sem sofrer deal?
E a gente acredita que a vida deveria ser como a gente combinou...

Eu mando e ela cala a boca.

Assim nascem o que os livros chamam de “Psicopatologias” ou como dizia o Caio Fernando Abreu: “Stadinervos”.

As escolhas são muitas, de acordo com o “jeito” de cada um, ou melhor, de acordo com o jeito que cada um dá.
Toc, Histeria, Síndrome do Pânico. Tudo isso é feito, em minha opinião, dá mesma farinha:
A negativa da aceitação do caráter inconsciente da vida, e, obviamente, nossa sempre falha iniciativa em querer comandar o espetáculo.

E o triste... o mais triste mesmo, é, que enquanto não consigo sair da casinha, lavando e lavando estas mãos, a Lauryn Hill canta no Pepsi on Stage, e o The Police inicia turnê.

Mas com licença, é melhor lavar as mãos! Não são tantas as emoções?
Tô Fora Bicho. Já diria o Roberto Carlos esquecido que viver dói, mas vale a pena.

Monday, July 03, 2006

Minha Cara,

Venho me separando de alguém, e venho me reencontrando comigo.
Venho me distanciando de alguém que acreditei conhecer melhor do que a mim mesma, e assim, venho conhecendo melhor a mim de verdade.
Ou pelo menos por enquanto, um pouco mais.
Separações são doloridas, mas necessárias, e na maioria das vezes saudáveis.
Eu nunca tive medo de me separar, de me afastar do que me faria mal.
Mentira,sempre tive, e sempre terei.
Mas no além do medo, sempre tive coragem.
Uma coragem que brota na hora exata, no último suspiro do covarde.

E foi assim contigo.

Nos conhecemos desde a mais tenra infância, andamos juntas por paraísos e infernos conhecidos, onde fui, sempre te levei comigo, sempre te protegi, sempre te amei, como uma filha, como uma irmã.
Mas de repente, resolvestes, e talvez não fosse tão de repente assim, te tornar quem imaginavas tu, que eu era.
Obrigado.
Por ti, me afastei de meu próprio engano.
Ou será que fui eu que te enganei? Pois com isso, me mostrastes cara amiga, que o que te tornastes para mim não serve.
Mostrastes, que eu mesma não cabia em meu desejo e que meus desejos não cabiam em mim.

Tinhamos tamanhos diferentes sabe?
Hoje estou mais perto do meu real tamanho.Tamanho de gente, gente que um dia finda.
E não de uma mentira que fostes a primeira a provar como veneno.
Sinto muito, pois meu mel em ti é fel.


Tuesday, February 07, 2006


Diz ah bafo

Verão é cool!!!
Tudo menos isso. Se tem uma coisa que o verão não é, é cool.
Manter a paciência,? Keep cool? No verão? Só com ar condicionado claro, por que brisa no asfalto never mind! Só na free way.
Andei pensando e suando, e cheguei a conclusão que gosto do verão. Em, basicamente, 3 ocasiões plus uma generalizada. Isso significa:
a) Gosto do verão na praia: na beira do mar estatelada, dentro da água ou em casa depois do banho. Mas prefiro praia fora de época.Tem essa.
b) Na cidade: De noite. Só de noite. Em cima da cama, de bunda prá cima e janela aberta, se tiver um ventinho é claro.
c) Da noite na rua. Em festa ao ar livre, com champagne e vestido de alcinha.
JUST.

Para qualquer outra situação exijo a presença do meu ar condicionado.
Isto não é preconceito, nojentísse, camilisse...É calor mesmo.
Acho um saco o calor. Pra tudo. Calor é pra toldos, não pra todos.
Fico pensando que o inverno é muito mais cool. Literalmente.
Em qualquer situação.
Quem não fica bem de gola rule, manta xadrez, lareira, livro, vinho tinto e chocolate.
Quem não fica bem depois de um banhinho quente, uma sopinha...
Vai tomar banho frio e um choppinho! A pessoa fica elétrica, alta tensão, emoção, pode ser... nada relax.
Ahhhh inverno é depre!!! Deprende.
Até pode ser que o verão seja menos deprê, se bem que aquela súbita vontade de fazer ginástica prá mim, digo, em mim, já é sintoma de doença.
Mas que o inverno é elegante, charmoso, quarentão, requintado...isso é.
Nada contra ao descolamento, funk, quebra barraco. Até gosto.
De frente pro Cristo Redentor ou em Salvador entro na onda certo!
Mas please, inverno é mais matreiro, conhecedor, low profile. Suisso eu diria.
É claro, aqui em casa, de baixo do meu endredon. Talvez...
Pra quem vive na rua o inverno é sorrateiro, algoz.
Aí eu prefiro o verão. Viva o verão. Passo calor sem problemas...
Verão inverno, primavera, outono...
Na verdade o bom do verão é sentir saudades do inverno. E talvez, vice-versa.
Aguarde a próxima estação

Tuesday, December 06, 2005

Meninos são Incríveis!!!

Meninos são incríveis.
Ou porque meninas amam meninos.

Claro.Seria simplista e ridículo, e também impossível explicar o porque de nossa admiração inexplicável.
Mas quanto mais não compreendo mais me apaixono. Mais invejo certas qualidades apenas, únicas, essencialmente masculinas.
A capacidade cuca fresca de alguns homens é o que mais me encanta.
Eles são. Apenas são.
Hoje, nesta noite exatamente, fui “trocada” no final de tarde por uma vara de pescar, e a noite por 11 homens e uma bola.
Isto tudo depois de quase dois dias sem ver meu namorado. Já sei. Ele não me ama.
No, no. Resposta errada. Ama e muito.
Apenas, eu disse apenas, quis pescar e jogar seu futebol no final do fechamento de um trabalho exaustivo porque..., por que simplesmente, desporquemente quis!
Por que, ao contrário de mim, e de muitas mulheres, sabe que o mundo não vai acabar amanhã, sabe que temos muitos dias juntos.
E, além de tudo, a cima de tudo e melhor de tudo: Ele sabe se divertir.
Sim.Homens sabem se divertir MUITO melhor do que algumas (eu disse algumas) mulheres.
Eles riem muito, falam alto, se divertem com qualquer bobagem ( quem disse bobagem?).
Aceitam amar o incomprensivél, ou alguém acha que os homens nos entendem? Não. Apenas nos amam.E isto não é tudo?Deveria ser girls!!! Para eles juro que é!
Gostam muito um dos outros, mas não para chorar mágoas ou pedir conselhos, mas gostam apenas por que gostam.
Homens são simples. Não existem por que. Existem para que.
Mulheres pensam que pensam, e enquanto isto homens fazem e se divertem muito mais!Mirem-se no exemplo daqueles HOMENS DE ATENAS, mas apenas no exemplo, pois, admirar o incompreensível e admitir carinhosamente nossas diferenças já pode nos ensinar. E muito.

Wednesday, September 21, 2005

EXCRITOS


Excritos nasceram em abril de 1976. Mentira, ou meia verdade. Eu nasci em abril de 1976.
Foi então que comecei a sentir, pensar, achar e mais tarde “ter coisas”.
Quando comecei a “ter coisas” eu não me lembro, mas deve ter sido lá pelos poucos anos, aqueles que valem muito.
E então, de lá pra cá começou a necessidade de expulsão, “de excreção das coisas”.
Claro, que já tinha notado que algumas coisas saíam de mim...o xixi,o coco,o suor... Mas isso não chegava a me esvaziar, e veja bem, eu posso explodir se não esvazio. Preciso de espaço para coisas novas sabe?
Com cheirinho de recém nascido!
E então comecei a tentar. Escolinha de artes: pintura, macramê e argila. E mais tarde a dança. Nos encontramos ainda pequenas. Eu, e ela em mim. Crescemos juntas, e por um bom tempo ela me ajudou. Era minha tradutora e interprete. Muitas vezes me avisava de sentimentos ainda não sentidos. A dança, em minhas veias, pensava pelo meu corpo. Ainda nos damos muito, volta e meia namoramos. Mas de repente, encontrei, ainda pequena, (que é quando encontramos muito do que vale a pena!) as folhas brancas e silenciosas dos cadernos.
E ali nasceram os primeiros EXCRITOS. Sim, são saídos de mim os excritos, são excretados de minha alma e ao mesmo tempo não me pertencem.
Por isso são sempre EX, de ontem, do passado, já nascidos à andar sozinhos por aí.
Eles, os EXCRITOS, tem vida própria, e a ela pertencem. Só me usam como um espírito usa o médium, se assim posso dizer.
Não sou eu aqui, embora parte de mim neles esteja.
São fragmentos do que fui no momento em que, em mim, eles habitavam.
Agora, já sou outra.
Não escrevo por que quero.Escrevo por que preciso Ex-cre-ver-me.

Monday, September 19, 2005

Qualidade de Vida???

Esportes, dieta equilibrada, oito horas de sono, meditação. Check up:
Como está seu coração? Como vai este intestino? E o fígado? Rins? Baço? Pâncreas? Sistemas urinário, digestivo, cardiovascular o escambau. Para tudo isto existe exame.
Medicina baseda em evidências.Vai lá, examina, resultado, tratamento se precisa. Ou tem ou não se tem. Simple.
E a cabecinha? Ou melhor, neste caso o cabeção? Sim. A muringa, o pensante, o sistema nervoso! Quem examina com clareza? Poucos.
Madame, a Srta está com um pequeno problema de idéia fixa, bobagem recorrente. Vire a página, de uma banda, monte uma banda. Largue do seu pé e volte em trinta dias.
E a gente acredita? Não.Simples demais.Além do esforço pra montar uma banda. Tô fora!
E aí começa a auto-atucanação disfarçada da tal auto-análise, auto-crítica, auto-reflexão. Desconfio de tudo que é auto. É uma maneira de fazer alguma coisa parecendo que não fui eu que fiz. Ou seja, um auto-engano! Dizem que é bom. Mas arsênico, em alguns casos, também faz bem.
Mas vamos lá: Neurônios, axônios em fila, sentimentos e sensações se organizem!!! Precisamos de qualidade de vida!!! Está escrito no jornal: Penso, logo existo!
E nos tornamos algozes de nós mesmos. Como estou hoje? Tenso? Angustiado? Leve ou moderado? Como me sinto em relação á bla bla bla, bla bla bla, bla bla bla...
E aí pifa. Alguma coisa pifa. Não há amor que resista a 24 horas de filosofia, já me disse um poeta. Ele disse 24!!! Não quero dizer que atravessar a rua sem olhar pros lados também é bom! Reflexão: Um pouquinho tudo bem.Demais azeda.
Mas o ser humano quer saber! Ele tem que saber! Tem que saber tudo, se não...ai cruzes!Posso errar, pecar e ser castigado pela ira divina!
E então, delegado de si mesmo, o ser, não encontrando respostas vais atrás de mais um especialista.Por que o cara que sabe, sabe mesmo, este é especialista!
Chegando lá, os dois de mãos dadas dão início a faxina. Mãe. Deve ser a mãe. Um cara já falou que é tudo culpa da mãe. Então estamos resolvidos, 100 reais pagam a conta e eu não tenho nada a ver com isso. Fucking mamma.
Mas lá pelas 4 hs da manhã o ser desconfia....tic tac tic tac...mas o que a minha mãe tem haver com isso... Onde estou? Como estou? Para onde eu vou? Qual o sentido desta coisa toda?
Olha querido eu não sei. Mas enquanto a gente pensa que pensa tem show no Gigantinho, festa no bom fim e gente se divertindo.E se auto crítica realmente fizesse bem, o Paulo Francis tinha passado a vida se criticando. Boa noite. Penso, logo desisto. Mas olho pros lados antes de atravessar a rua!

Os imortais

Não me lembro quando a conheci. Mas sei que ela sempre esteve comigo. No ventre de minha mãe, ao lado do meu carrinho de bebê, no colo de meu pai enquanto ouvíamos música.
Antes de sentir as letras sempre senti seu perfume em minha casa.
Quando aprendi a andar, correr e brincar, conheci então sua casa de perto.
Não sabia que a fada que embalava meu sono e me ajudava a dormir morava lá, no castelo da sala de estar, e bem no meio dele...
Aprendi as letras, e assim descobri seu nome, e como já sabia seu endereço a procurei sem saber. Tinha certeza que algo colorido e feliz ela guardava para mim.
Pequena, subi no banco e alcancei sua morada, a janela da estante que guardava Clarice.
E ela, amiga querida, não disse o que o mundo então dizia: “É muito cedo para estes livros”.
Não! Ela tinha livros para mim! Coloridos, engraçados, com coelhos e galinhas. Mas coisas tristes e humanas também. Em nosso mundo, as mulheres já matavam os peixes.
Minha amiga nunca me iludiu.
E assim foi. E assim é. Procuro Clarice desde pequena para que me ajude a compreender a vida, ou ao menos a aceitar seu lindo descabimento.
Passeamos de mão juntas fazendo a Descoberta do mundo, e dalí em diante ela me deixou como quem diz: “Vai e escolhe teu nome, e eu sempre estarei lá.”
E assim segui a navegação.
Na Água viva de Clarice descobri Um sopro de vida entre Belas e feras Para não esquecer minha Via crucis do corpo.
Mais tarde, De corpo inteiro, voltei a Aprendizagem, ou O livro dos prazeres até encontrar minha Hora da Estrela outra vez.
E hoje, talvez mais Perto do coração selvagem, eu já saiba, como diria minha amiga, que: “Meu nome é EU”.
Saudades Clarice, que falta você me faz, quando te procuro na estante e alguém te levou de lá, mas sei que tu retornas e sempre voltarás, pois é meu coração, e não a academia, o lugar dos imortais.